Neste nada de azul e areias de sol imenso
Palmeiras em verde suspenso
Ventos que me levam os passos
São cansaços, são cansaços…
Volto atrás, procuro melhor: um rosa até um lilás
Não há sequer branca cor, só cor que saudade traz
É cansaço,
Definitivamente cansaço
À sombra de um tronco castanho, sento-me na sombra cinza
E deslindo os meus fracassos, procurando o meu eu estranho
Ou qualquer coisa que finja
É cansaço,
Só cansaço…
Invento uma tempestade que me ocupe toda a tarde
Quase me deixa escarlate, tanto alarde, tanto alarde…
E todos os meus cansaços
Retomam já sem tamanho
É cansaço, fraco e baço
Desbotado, desalinhado
Tonto, desmedido e gasto
Opaco, e meio devasso
Irreversivelmente cansaço
Um laranja de alegria, se entorna dentro de mim
Toma-me uma energia, ponho ao cansaço fim
Ergo-me de novo à vida sem cansaço que mereça
Troco por nova partida qualquer esboço de tristeza.